19/10/2011

Debate “Ditadura, Democracia e Resistência para Quem" ?


Por: Paula Farias


Debate “Ditadura, Democracia e Resistência para Quem “?

Na tarde do último sábado (15) aconteceu o segundo debate sobre a temática “Ditadura, Democracia e Resistência para Quem “?, Em uma das belas salas da Universidade de Direito de São Paulo, no largo São Francisco.

A mesa de discussão girou em torno da problemática “1964 – 2001” e foi composta pelos debatedores Deisy Ventura, Janaina Teles e Marlon Weichert , mediador professor Guilherme de Almeida.

O público presente foi em torno de 40 pessoas, um número bom levando em consideração que uma forte chuva caia sobre a cidade desde cedo.

Durante toda à tarde varias questões importantes sobre a triste historia de repressão da Ditadura militar no Brasil foram abordados.

Principalmente a necessidade de se passar a limpo os casos de seqüestros, torturas e assassinados cometidos durante o período, através da comissão da verdade, que alias esta longe do moldes esperados já que o projeto aprovado pela câmara sofreu varias modificações.

E trazendo para os dias atuais os expositores falaram sobre as seqüelas e conseqüências que resta da ditadura em plena sociedade “democrática” em que vivemos ou pensamos que vivemos.

A questão mais importante trata-se da “classe dos torturáveis”, ou seja, as pessoas que sofrem com o autoritarismo e despreparo dos representantes dos órgãos de segurança do Estado.

Chegou - se à conclusão sobre os perfis dos militantes torturados no período da ditadura e a parcela da população que é torturada nos dias atuais pela policia.

No passado eram militantes de partidos políticos, agremiações estudantis, hoje são negros, pardos, moradores das periferias que são vitimas de atrocidades imposta pelo Estado sobre a forma de homens fardados que seguem o mesmo estatuto da época da ditadura, as regras do autoritarismo.

E da mesma forma que a ditadura militar no Brasil desempenhou com bastante eficiência toda a repressão e censura e se manteve no poder durante 21anos.

Nos tempos atuais, os representantes da “lei” e da “segurança” vêm também desempenhando sua função com bastante eficaz, e tratando com violência e preconceito a população das periferias. Basta analisar os números de assassinatos da população negra, os inúmeros casos de violações dos direitos humanos.

As analises são já bem conhecidas por quem vive a militância dentro das comunidades, agora o que precisar ser repensado são as estratégias de enfrentamento.

Debates como este é de extrema importância e aconteceu dentro da maior universidade publica da América Latina (USP) o prédio de direito que mantêm as instalações históricas com quadros de Dom Pedro II que alias esteve presente na sala de debate (pendurado e um quadro) atento ao tudo que acontecia.

Parabéns ao Coletivo Político Quem ? Responsável pelo evento.

E para quem quiser participar dos próximos debates ainda há mais dois agendados:

Debate- 22/10

“Silencio e Interditos da Memória”

Local: Memorial da Resistência

A partir das 14h

Debate-29/10

“Arte como Guerrilha”

Local: Centro Cultural Maria”

A partir das 14h

12/10/2011

Dia das Crianças.... pra quem ?

Compre um celular, vídeo, roupas, brinquedos , consuma, consuma e seja feliz esse é o slogan do Dia das Crianças, data festiva que gera lucro pro sistema.

E faz com que muitas pessoas esqueçam que enquanto elas estão no shopping escolhendo presentes para um pequeno grupo de crianças privilegiadas, existem centenas de outras meninas e meninos excluídos sobrevivendo de sobras ou simplesmente não sobrevivendo.

Não consigo comemorar essa data sabendo que nesse exato momento há crianças sendo agredidas, violentadas, passando fome, sofrendo morrendo aos poucos.

As crianças são o futuro, mas o que fazer quando elas já nascem com o futuro negado? Por um país hipócrita, preconceituoso, racista que mata milhares de indefesos todos os anos.

Eu não vejo motivos pra comemorar o dia de hoje quando lembro que amanha vou passar pela Praça da Sé e terá pequenos anjos sem asas comendo lixo, se drogando, dormindo em baixo de viadutos...que país é esse ? Que seres humanos somos nós?

Que fingimos que nada acontece que nos acostumamos com isso e passamos por elas e fingimos não as vêr.

Aquele menino com a lata de cola na mão podia ser seu filho? Aquela menina se vendendo na esquina podia ser sua filha. Eles são filhos do descaso ... pátria amada , nada gentil.

Dia das Crianças.... pra quem ?

Paula Farias


28/09/2011

Revista Fórum comemora 10 anos de jornalismo militante


No último sábado (24) aconteceu a festa dos 10 anos da revista Fórum.

O evento foi realizado na Casa fora do Eixo local ponto de encontro de cultural, um ambiente despojado com paredes grafitadas , localizada na região central de São Paulo.

Com estilo próprio e acolhedor a confraternização organizada pela equipe da revista fórum foi digna de um veiculo de comunicação que nasceu dentro do 1º Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre (RS) em 2001.

Com o compromisso de exercer um jornalismo voltado às causas sociais, pautando questões de interesse gerais do Brasil e do mundo, com uma visão abrangente e independente.

Combatendo o monopólio e a manipulação causada pela mídia tradicional.

Marcando a confraternização foram organizadas varias meses de debates, com as presenças de colunistas e jornalistas da revista, políticos e representantes da sociedade civil, e o ex-ministro da casa civil Jose Dirceu também esteve na festa para prestigiar a comemoração.

Foram mais de 10 horas de debates que giraram em torno de questões fundamentais para a sociedade brasileira como democratização da mídia, redes sociais, trabalho escravo, imigração etc.

Os debates foram transmitidos ao vivo pela internet, e contou com questionamentos e opiniões de vários internautas do Brasil e até de outros países.

Além das discussões durante toda a tarde houve churrasco com bebidas para os participantes , além de um salão musical com dj, varias apresentações de bandas e representando o rap nacional a presença do JairoPeriafricania, pinturas de grafites ao vivo .

Foi uma grande festa que além de reunir especialistas de diversas áreas para discutir assuntos que estão mexendo com o momento atual da sociedade.

A festa 10 anos revista Fórum deixou varias mensagens importantes entre elas :

* Necessidade de se repensar o modelo de formação acadêmica nos cursos de jornalismo.

*A urgência na democratização das mídias.

* Forte ferramenta de mobilização que é a internet e os blogs.

* Necessidade de continuar combatendo a mídias tradicional.

* A precisão das mídias alternativas em criar novas pautas.

*A atenção que devemos ter com as questões ligadas a imigração, trabalho escravo em todas as esferas, urbano e rural.

A missão da revista Fórum de trabalhar focado nas mazelas que afligem e atrasam o real desenvolvimento da sociedade já que grande parcela da população sofre com o preconceito, racismo, concentração de renda, agronegócio, corrupção, e violência , continua.

Vida longa a revista Fórum e os demais veículos que lutam para exercer um jornalismo sem amarras, sem distorções da realidade.




Matéria e Fotos : Paula Farias




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18/06/2011

Quem é mais louco ??????

Andando pelas ruas do centro da cidade é possível observar vários moradores de rua.

Meu foco nessa reflexão são as pessoas que perderam a noção do que é real, para o que é imaginação, que perderam o chamado “juízo” , ou os loucos mais popularmente conhecidos.

Quantos brasileiros vivem em estado de demência mental abandonados pelas ruas a mercê de sua própria sorte ou da intervenção divina? Perdidos em meio ao tempo e espaço, sem nem ao menos saberem quem são, da onde vieram e muito menos para onde irão.

A resposta é muito simples são muitos.

E o que levaram essas pessoas a perderem o senso das coisas? Se tornando totalmente indiferentes ao que acontecem ao seu redor, e a si próprios todos os dias, nas ruas da cidade de aço que é São Paulo e tantas outras metrópoles brasileiras.

As respostas podem ser as mais variadas, alcoolismo, drogas, depressão, abandono. Mas a duvida que é fica é quem é mais “louco” quem vive pelas ruas , ou quem vive preso a esse sistema capitalista, opressor que massacra milhões de brasileiros e rouba sonhos e esperanças.

Será que é tão absurdo pensar que nós seres” normais” é que somos os verdadeiros doentes mentais, que vivemos presos muitas vezes em uma vida infeliz, sendo mão de obra barata, muitos sem nem ao menos saberem se terão o que almoçar ou jantar no dia seguinte, sobrevivendo a lutas penas .

Sem ter como sonhar com uma vida melhor acordando todos os dias as 4 e 30 da madrugada. Com o sono sendo bruscamente interrompido pelo despertar do relógio, instrumento de medição do tempo, inventado pelo capitalismo para escravizar os trabalhadores à corrida interminável contra o tempo.

Mães e pais que não tem tempo para acompanhar o crescimento de seus filhos, por que estão presos no transito, no trabalho mal remunerado e infeliz.

Obrigações impostas pela vida “normal” trabalhar, pagar contas e sobreviver e rezar por dias melhores , para os que tem algum tipo de crença, para os que não nem esse consolo resta.

Será que somos realmente normais? Será que somos mais felizes do que aqueles que vivem em um mundo próprio de fantasias e que não sabem distinguir a realidade dos fatos

Talvez muitas dessas pessoas simplesmente se entregaram a perder a razão como uma forma da fuga da realidade capitalista, individualista e cruel que é a sociedade em que estamos mergulhados.

Eu não tenho essas respostas precisas.

Mas eu tenho o sentimento de quem anda pelas ruas, e olha nos olhos desses moradores de rua “loucos”.

Eu observo muito mais brilho no olhar desses “loucos” das ruas, em comparação com quem esta dentro dos ônibus lotados com amargura estampada em cada traço.

Talvez a loucura para alguns até tenha sido a melhor saída, apesar que a dúvida persiste de quem é mais “louco”? , você decide.

Texto : Paula Farias

07/06/2011

Hoje acordei mais velha

Hoje eu acordei e não tinha mais 15 anos, o tempo é mesmo algo implacável passa tão rápido e forte como a brisa da noite, ele vem toca seu rosto e vai modificando sua expressão, e sua vida inteira.

Quando tinha apenas 15 anos eu não sabia bem ao certo o que gostaria de ser grande crescer (risos), mas eu sabia que desejava evoluir, oferecer um futuro melhor para a minha mãe e fazer meu irmão me ter como um exemplo vitorioso a ser seguido.

Então em meio ao desejo de progresso e mudança o jornalismo chegou no meu coração e fez morada e decidi quero ser jornalista. Não para trabalhar na televisão alias tenho vergonha das câmeras, mas para trabalhar em uma redação, ir a rua ter contato direto com os fatos.

E foi ai que a luta realmente se iniciava na minha vida, quando deixei de lado a fantasia e me deparei com a vida cruel e real , levei um susto da onde tirar dinheiro para pagar uma faculdade? Mas não deixei isso me abater e desde então a busca por uma bolsa 100% de estudos virou minha meta.

Foram três anos fazendo à prova do Enem, me inscrevendo no prouni disputando com vários estudantes a tão desejada e sonhada bolsa de estudos.

E como que por um milagre dos céus eu consegui, o dia da minha matricula foi um dos dias mais felizes da minha vida. Só me enganei em um ponto aquele não era o fim da luta, mas sim o começo da grande batalha que se iniciaria.

O mundo acadêmico foi abrindo meus horizontes, hoje estou amadurecida e mais convicta ainda dos meus propósitos, já faz três anos que entrei na sala de aula do curso de jornalismo pela primeira vez.

Eu venci o medo, o receio e venho me destacando com boas notas, participação ativa nas aulas. Mas isso não é o suficiente por que o grande desafio eu ainda não venci o cruel mercado de trabalho.

Ter ideais desejo de mudança, melhoria na vida da sociedade, a vontade de exercer um jornalismo transparente com o leitor, não é o que o mercado capitalista deseja do profissional jornalista.

O capital que transforma tudo em mercadoria e só visa o lucro, não quer jornalismo comunitário , não quer agentes da verdade , da noticia sem fins lucrativos.

É contra esse vilão a minha grande luta, eu não tenho inglês fluente, ainda não viajei para fora do país, não estudo na “melhor “ universidade do Brasil, mas eu sou Paula Farias tenho caráter e sonhos .

E é justamente isso que eu não vou deixar morrer jamais. É uma luta muito desigual esse momento atual da pós-modernidade esse sentimento de tédio, de fracasso, onde as relações humanas estão tão superficiais causa angustia e desespero.

A todo o momento me pergunto será que vale a pena? Será que o melhor não seria esquecer tudo isso e viver com tantos entorpecidos na alienação e com falsa sensação de felicidade.

Mas quando eu saio nas ruas e vejo os rostos dos cidadãos comuns tão tristes, com o olhar perdido em meios as dificuldades do dia a dia, quando vejo crianças dormindo no chão sem saberem se vão acordar no dia seguinte, quando leio tantas noticias sobre escândalos, crimes, desigualdade social, racial que continua fazendo padece sobre milhões de brasileiros.

Quando eu volto para casa e olho no rosto da minha mãe e vejo o sorriso do meu irmão eu já consigo mais uma vez me enxergar e perceber que nem se eu quisesse não daria nunca para mudar de lado no meio da guerra.

E o mais impressionante eu não escolhi esse lado eu já nasci dentro dele, e o jornalismo é a arma escolhida pra fazer a transformação. Informação é poder precisamos tomar de assalto todos os espaços que tenham jornalistas, médicos, advogados, psicólogos, assistentes sociais enfim que em todas as camadas da sociedade tenham profissionais vindos da periferia com a mesma sede de justiça , paz e liberdade que eu tenho.

É por tudo isso que eu não vou desistir muito sangue inocente foi derramado para que hoje eu pudesse ate mesmo escrever esse desabafo.

Eu vou honrar meus antepassados e prosseguir na luta, por que cada suor e lagrima não será sendo em vão.

Saúde feminina


A prevenção e a informação fazem toda a diferença para ter uma vida saudável

Por Paula Farias


O câncer de mama é uma doença que afeta a saúde e a percepção da sexualidade feminina.

Esse vilão que prejudica a saúde das mulheres afeta principalmente as que estão com mais de 40 anos e já se tornou a principal causa de morte entre as mulheres brasileiras.

É preciso desmentir alguns mitos sobre o câncer de mama, nódulo de mama não significa câncer de mama. A maioria dos nódulos são benignos.

E quanto mais cedo à doença for diagnosticada mais chances de cura a mulher tem, por isso é de extrema importância a realização de exames de imagem, como a mamografia, anualmente, a partir dos 40 anos.

Não há desculpas para a não realização dos exames preventivos, e ainda há o auto-exame, que deve ser realizado em média a partir do terceiro ou quarto dia após a menstruação.

Ele é muito simples de ser realizado é preciso que a mulher sinta melhor a própria mama, com o braço levantado, em pé e depois deitada, ela mesma vai realizando o auto- toque de uma forma simples, mas que faz toda a diferença.

O exame preventivo é a melhor forma de precaução, a vergonha ou timidez deve ser deixados de lados, já que a saúde feminina deve permanecer sempre em primeiro lugar. Não é admissível que em pleno século XXI mulheres ainda morram por terem vergonha de se auto tocar ou de procurarem um médico.

O que causa o grande numero de mortes de mulheres brasileiras é justamente a falta de informação e da auto prevenção. Por que uma vez que a doença é diagnosticada rapidamente a paciente é encaminhada ao tratamento e as chances de recuperação são enormes .

Quando acontece alguma alteração no exame mamográfico anual, a mulher é submetida a uma biópsia, que é um procedimento simples, com anestesia local. Se o resultado for positivo dependendo do grau que esteja o nódulo, ela já é encaminhada para a, avaliação que dirá qual será a cirurgia mais adequada.

Após o ato cirúrgico o tratamento continua através da quimioterapia e com o avanço da medicina os efeitos colaterais são muito pequenos.

Já para os casos mais graves onde é preciso fazer a retirada da mama, à reconstrução pode ser feita em uma segunda cirurgia ou até de maneira imediata dependendo de cada caso.

O que deve ficar bem claro é que depois do câncer a mulher volta a ter uma vida normal, e que a prevenção é o melhor remédio para evitar e tratar o problema.

E com os avanços da medicina mais a busca diária pela informação de como se cuidar é o que vai levar as mulheres a manterem uma vida saudável..

29/05/2011

Vala de Perus histórias descobertas, responsáveis impunes



Descoberta 1049 assadas de militantes políticos em 1990, a Vala de Perus mobilizou várias comissões em busca da verdade e da identidade dos responsáveis.

Por Angelina Miranda e Paula Farias



O cemitério Dom Bosco conhecido como cemitério de Perus, recebe esse nome devido à localização do bairro que faz divisa com a cidade de Caieiras. O cemitério Dom Bosco poderia ser só mais entre tantos outros na cidade, não tivesse sido na ditadura militar um dos locais escolhidos pelos repressores do regime, para o sepultamento clandestino de militantes políticos na década de 70, a chamada Vala de Perus.
Criado em 1970, pelo então prefeito da época Paulo Maluf com a participação do já falecido Romeu Tuma responsável pelo DOPS (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) de 1967 a 1983, e o diretor da Eletrobrás Miguel Colasuonno. Logo na sua inauguração era um cemitério exclusivo para corpos de indigentes, posteriormente Maluf ordenou a construção de quadras marcadas para “terroristas”.
Recentemente em 2009 o Ministério Público Federal pediu que estes fossem condenados a pagar indenização e que perdessem suas funções públicas ou aposentadorias. Pois são acusados de participar do funcionamento da estrutura que ocultou cadáveres de opositores da ditadura nos cemitérios de Perus e da Vila Formosa.
Ambos os três afirmaram desconhecer os fatos da acusação, e ficou tudo por isso mesmo.
Após vinte anos dos sepultamentos ilegais, em 1990 a prefeita de São Paulo Luiza Erundina liderou a frente de busca pelos restos mortais de desaparecidos, e após o trabalho de peritos do IML e da polícia técnica foram encontradas 1049 ossadas.
O cemitério Dom Bosco guarda parte da história do período ditatorial que durou 21 anos, e mesmo as pessoas que moram no bairro há muito tempo, e/ou os que trabalham no cemitério quisessem apagar da memória tais acontecimentos não poderiam. Pois o chamativo memorial vermelho erguido no cemitério Dom Bosco pelo arquiteto Ricardo Ohtake, sempre estará a lembrá-los com os seguintes dizeres: “Os ditadores tentaram esconder os desaparecidos políticos as vítimas da fome, do estado policial, dos esquadrões da morte e sobre tudo os direitos dos cidadãos pobres da cidade de São Paulo. Fica registrado que os crimes contra a liberdade serão sempre descobertos. Luiza Erundina e Comissão de Familiares de Presos Políticos Desaparecidos.”
Mesmo não esquecendo os acontecimentos, nenhum dos muitos funcionários do cemitério se pronuncia quando o assunto é a Vala de Perus. Um funcionário de aproximadamente 45 anos ao ser perguntado, sobre o que sabia do assunto responde secamente “Fale com o Hélio!”
Heliontero Alves conhecido como Hélio é o diretor do cemitério e o único responsável a dar alguma informação sobre o caso, mas falar com ele também não é tarefa fácil. Ao ser perguntado por ele, seu secretário informa com ironia após olhar o relógio “Ele só poderá atender daqui três horas, e não é garantido que fale alguma coisa.”
Mesmo passado muitos anos do descobrimento da Vala de Perus o assunto é ainda muito censurado. Mas não para algumas comissões formadas por parentes de desaparecidos políticos, e políticos engajados com a causa.


Comissão da Verdade
Antes de ser aprovada causa polêmicas e deixa muitas incertezas no ar.


Ao contrário de países vizinhos como Argentina, Peru e Chile, o Brasil desde o fim do período ditatorial até os dias atuais nunca conseguiu investigar com veemência os crimes cometidos pelos militares. Crimes como os desaparecimentos de civis, torturas, prisões arbitrarias, ocultação de cadáveres, e ações que violaram os direitos humanos de inúmeros cidadãos brasileiros que eram contra o Estado.
Para tentar passar a limpo esse período de repressão no país, o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou em maio de 2010 um projeto de lei que cria a Comissão da Verdade. O propósito da Comissão é de promover a ”reconciliação nacional”, ou seja, investigar e esclarecer os crimes que foram cometidos no período da ditadura , ainda que esses tenha ocorrido no exterior. O projeto está no congresso esperando votação para ser aprovado. Mas mesmo antes de sua aprovação a Comissão da Verdade está causando muitas polêmicas e incomodando aqueles que querem colocar uma pedra em cima do assunto, como as Forças Armadas que já se declarou totalmente contra a esta ação.
Justamente por buscar a verdadeira história do país, a Comissão da Verdade esta passando por verdadeiros boicotes que envolvem a grande mídia, militares e políticos da oposição que não querem que a comissão seja aprovada .
Porém a presidente Dilma Rousseff colocou como meta para este ano que a Comissão seja aprovada. Não foi a toa que nomeou a Ministra de Direitos Humanos Maria do Rosário encarregada de cuidar dessa aprovação no congresso fazendo parcerias, e promovendo o debate entre os deputados.
Essa é uma das metas do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, que inclui entre outros temas a defesa da descriminalização do aborto, a união civil homossexual, a revisão da Lei da Anistia, e a mudança de regras na reintegração de posse em ocupação de terras e a instituição de critérios de acompanhamento editorial de meios de comunicação.
“Mas o que causa até certo conforto para quem tem o que esconder é justamente o fato da Comissão da Verdade não poder responsabilizar criminalmente nenhum torturador, devido à lei de Anistia que impede essa ação.” Afirmou o Paulo Sergio Pinheiro que é diplomata carioca, e exerce dentro da ONU o cargo de relator especial l para a situação dos direitos humanos de Myanmar. A declaração faz parte de uma entrevista concedida ao jornal Estado de São Paulo em fevereiro desse ano.
O papel da Comissão da Verdade será apenas o de reconstituir efetivamente o que ocorreu. “É preciso saber a verdade sobre os crimes cometidos pelos agentes do Estado, o que aconteceu com os dissidentes estamos cansados de saber”. Conclui o diplomata.
A lei de Anistia dá subsídio aos torturadores da época da ditadura, caso não seja modificada mesmo que a Comissão da Verdade seja instaurada não punirá com prisões os culpados. Deixará exposta uma lista com os nomes envolvidos, mas não poderá obrigar-ós ao comparecimento em audiências.
Enquanto isso o Brasil continuará sendo um país que se mostra cada vez mais incapaz de passar sua própria historia a limpo.