18/06/2011

Quem é mais louco ??????

Andando pelas ruas do centro da cidade é possível observar vários moradores de rua.

Meu foco nessa reflexão são as pessoas que perderam a noção do que é real, para o que é imaginação, que perderam o chamado “juízo” , ou os loucos mais popularmente conhecidos.

Quantos brasileiros vivem em estado de demência mental abandonados pelas ruas a mercê de sua própria sorte ou da intervenção divina? Perdidos em meio ao tempo e espaço, sem nem ao menos saberem quem são, da onde vieram e muito menos para onde irão.

A resposta é muito simples são muitos.

E o que levaram essas pessoas a perderem o senso das coisas? Se tornando totalmente indiferentes ao que acontecem ao seu redor, e a si próprios todos os dias, nas ruas da cidade de aço que é São Paulo e tantas outras metrópoles brasileiras.

As respostas podem ser as mais variadas, alcoolismo, drogas, depressão, abandono. Mas a duvida que é fica é quem é mais “louco” quem vive pelas ruas , ou quem vive preso a esse sistema capitalista, opressor que massacra milhões de brasileiros e rouba sonhos e esperanças.

Será que é tão absurdo pensar que nós seres” normais” é que somos os verdadeiros doentes mentais, que vivemos presos muitas vezes em uma vida infeliz, sendo mão de obra barata, muitos sem nem ao menos saberem se terão o que almoçar ou jantar no dia seguinte, sobrevivendo a lutas penas .

Sem ter como sonhar com uma vida melhor acordando todos os dias as 4 e 30 da madrugada. Com o sono sendo bruscamente interrompido pelo despertar do relógio, instrumento de medição do tempo, inventado pelo capitalismo para escravizar os trabalhadores à corrida interminável contra o tempo.

Mães e pais que não tem tempo para acompanhar o crescimento de seus filhos, por que estão presos no transito, no trabalho mal remunerado e infeliz.

Obrigações impostas pela vida “normal” trabalhar, pagar contas e sobreviver e rezar por dias melhores , para os que tem algum tipo de crença, para os que não nem esse consolo resta.

Será que somos realmente normais? Será que somos mais felizes do que aqueles que vivem em um mundo próprio de fantasias e que não sabem distinguir a realidade dos fatos

Talvez muitas dessas pessoas simplesmente se entregaram a perder a razão como uma forma da fuga da realidade capitalista, individualista e cruel que é a sociedade em que estamos mergulhados.

Eu não tenho essas respostas precisas.

Mas eu tenho o sentimento de quem anda pelas ruas, e olha nos olhos desses moradores de rua “loucos”.

Eu observo muito mais brilho no olhar desses “loucos” das ruas, em comparação com quem esta dentro dos ônibus lotados com amargura estampada em cada traço.

Talvez a loucura para alguns até tenha sido a melhor saída, apesar que a dúvida persiste de quem é mais “louco”? , você decide.

Texto : Paula Farias

07/06/2011

Hoje acordei mais velha

Hoje eu acordei e não tinha mais 15 anos, o tempo é mesmo algo implacável passa tão rápido e forte como a brisa da noite, ele vem toca seu rosto e vai modificando sua expressão, e sua vida inteira.

Quando tinha apenas 15 anos eu não sabia bem ao certo o que gostaria de ser grande crescer (risos), mas eu sabia que desejava evoluir, oferecer um futuro melhor para a minha mãe e fazer meu irmão me ter como um exemplo vitorioso a ser seguido.

Então em meio ao desejo de progresso e mudança o jornalismo chegou no meu coração e fez morada e decidi quero ser jornalista. Não para trabalhar na televisão alias tenho vergonha das câmeras, mas para trabalhar em uma redação, ir a rua ter contato direto com os fatos.

E foi ai que a luta realmente se iniciava na minha vida, quando deixei de lado a fantasia e me deparei com a vida cruel e real , levei um susto da onde tirar dinheiro para pagar uma faculdade? Mas não deixei isso me abater e desde então a busca por uma bolsa 100% de estudos virou minha meta.

Foram três anos fazendo à prova do Enem, me inscrevendo no prouni disputando com vários estudantes a tão desejada e sonhada bolsa de estudos.

E como que por um milagre dos céus eu consegui, o dia da minha matricula foi um dos dias mais felizes da minha vida. Só me enganei em um ponto aquele não era o fim da luta, mas sim o começo da grande batalha que se iniciaria.

O mundo acadêmico foi abrindo meus horizontes, hoje estou amadurecida e mais convicta ainda dos meus propósitos, já faz três anos que entrei na sala de aula do curso de jornalismo pela primeira vez.

Eu venci o medo, o receio e venho me destacando com boas notas, participação ativa nas aulas. Mas isso não é o suficiente por que o grande desafio eu ainda não venci o cruel mercado de trabalho.

Ter ideais desejo de mudança, melhoria na vida da sociedade, a vontade de exercer um jornalismo transparente com o leitor, não é o que o mercado capitalista deseja do profissional jornalista.

O capital que transforma tudo em mercadoria e só visa o lucro, não quer jornalismo comunitário , não quer agentes da verdade , da noticia sem fins lucrativos.

É contra esse vilão a minha grande luta, eu não tenho inglês fluente, ainda não viajei para fora do país, não estudo na “melhor “ universidade do Brasil, mas eu sou Paula Farias tenho caráter e sonhos .

E é justamente isso que eu não vou deixar morrer jamais. É uma luta muito desigual esse momento atual da pós-modernidade esse sentimento de tédio, de fracasso, onde as relações humanas estão tão superficiais causa angustia e desespero.

A todo o momento me pergunto será que vale a pena? Será que o melhor não seria esquecer tudo isso e viver com tantos entorpecidos na alienação e com falsa sensação de felicidade.

Mas quando eu saio nas ruas e vejo os rostos dos cidadãos comuns tão tristes, com o olhar perdido em meios as dificuldades do dia a dia, quando vejo crianças dormindo no chão sem saberem se vão acordar no dia seguinte, quando leio tantas noticias sobre escândalos, crimes, desigualdade social, racial que continua fazendo padece sobre milhões de brasileiros.

Quando eu volto para casa e olho no rosto da minha mãe e vejo o sorriso do meu irmão eu já consigo mais uma vez me enxergar e perceber que nem se eu quisesse não daria nunca para mudar de lado no meio da guerra.

E o mais impressionante eu não escolhi esse lado eu já nasci dentro dele, e o jornalismo é a arma escolhida pra fazer a transformação. Informação é poder precisamos tomar de assalto todos os espaços que tenham jornalistas, médicos, advogados, psicólogos, assistentes sociais enfim que em todas as camadas da sociedade tenham profissionais vindos da periferia com a mesma sede de justiça , paz e liberdade que eu tenho.

É por tudo isso que eu não vou desistir muito sangue inocente foi derramado para que hoje eu pudesse ate mesmo escrever esse desabafo.

Eu vou honrar meus antepassados e prosseguir na luta, por que cada suor e lagrima não será sendo em vão.

Saúde feminina


A prevenção e a informação fazem toda a diferença para ter uma vida saudável

Por Paula Farias


O câncer de mama é uma doença que afeta a saúde e a percepção da sexualidade feminina.

Esse vilão que prejudica a saúde das mulheres afeta principalmente as que estão com mais de 40 anos e já se tornou a principal causa de morte entre as mulheres brasileiras.

É preciso desmentir alguns mitos sobre o câncer de mama, nódulo de mama não significa câncer de mama. A maioria dos nódulos são benignos.

E quanto mais cedo à doença for diagnosticada mais chances de cura a mulher tem, por isso é de extrema importância a realização de exames de imagem, como a mamografia, anualmente, a partir dos 40 anos.

Não há desculpas para a não realização dos exames preventivos, e ainda há o auto-exame, que deve ser realizado em média a partir do terceiro ou quarto dia após a menstruação.

Ele é muito simples de ser realizado é preciso que a mulher sinta melhor a própria mama, com o braço levantado, em pé e depois deitada, ela mesma vai realizando o auto- toque de uma forma simples, mas que faz toda a diferença.

O exame preventivo é a melhor forma de precaução, a vergonha ou timidez deve ser deixados de lados, já que a saúde feminina deve permanecer sempre em primeiro lugar. Não é admissível que em pleno século XXI mulheres ainda morram por terem vergonha de se auto tocar ou de procurarem um médico.

O que causa o grande numero de mortes de mulheres brasileiras é justamente a falta de informação e da auto prevenção. Por que uma vez que a doença é diagnosticada rapidamente a paciente é encaminhada ao tratamento e as chances de recuperação são enormes .

Quando acontece alguma alteração no exame mamográfico anual, a mulher é submetida a uma biópsia, que é um procedimento simples, com anestesia local. Se o resultado for positivo dependendo do grau que esteja o nódulo, ela já é encaminhada para a, avaliação que dirá qual será a cirurgia mais adequada.

Após o ato cirúrgico o tratamento continua através da quimioterapia e com o avanço da medicina os efeitos colaterais são muito pequenos.

Já para os casos mais graves onde é preciso fazer a retirada da mama, à reconstrução pode ser feita em uma segunda cirurgia ou até de maneira imediata dependendo de cada caso.

O que deve ficar bem claro é que depois do câncer a mulher volta a ter uma vida normal, e que a prevenção é o melhor remédio para evitar e tratar o problema.

E com os avanços da medicina mais a busca diária pela informação de como se cuidar é o que vai levar as mulheres a manterem uma vida saudável..

29/05/2011

Vala de Perus histórias descobertas, responsáveis impunes



Descoberta 1049 assadas de militantes políticos em 1990, a Vala de Perus mobilizou várias comissões em busca da verdade e da identidade dos responsáveis.

Por Angelina Miranda e Paula Farias



O cemitério Dom Bosco conhecido como cemitério de Perus, recebe esse nome devido à localização do bairro que faz divisa com a cidade de Caieiras. O cemitério Dom Bosco poderia ser só mais entre tantos outros na cidade, não tivesse sido na ditadura militar um dos locais escolhidos pelos repressores do regime, para o sepultamento clandestino de militantes políticos na década de 70, a chamada Vala de Perus.
Criado em 1970, pelo então prefeito da época Paulo Maluf com a participação do já falecido Romeu Tuma responsável pelo DOPS (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) de 1967 a 1983, e o diretor da Eletrobrás Miguel Colasuonno. Logo na sua inauguração era um cemitério exclusivo para corpos de indigentes, posteriormente Maluf ordenou a construção de quadras marcadas para “terroristas”.
Recentemente em 2009 o Ministério Público Federal pediu que estes fossem condenados a pagar indenização e que perdessem suas funções públicas ou aposentadorias. Pois são acusados de participar do funcionamento da estrutura que ocultou cadáveres de opositores da ditadura nos cemitérios de Perus e da Vila Formosa.
Ambos os três afirmaram desconhecer os fatos da acusação, e ficou tudo por isso mesmo.
Após vinte anos dos sepultamentos ilegais, em 1990 a prefeita de São Paulo Luiza Erundina liderou a frente de busca pelos restos mortais de desaparecidos, e após o trabalho de peritos do IML e da polícia técnica foram encontradas 1049 ossadas.
O cemitério Dom Bosco guarda parte da história do período ditatorial que durou 21 anos, e mesmo as pessoas que moram no bairro há muito tempo, e/ou os que trabalham no cemitério quisessem apagar da memória tais acontecimentos não poderiam. Pois o chamativo memorial vermelho erguido no cemitério Dom Bosco pelo arquiteto Ricardo Ohtake, sempre estará a lembrá-los com os seguintes dizeres: “Os ditadores tentaram esconder os desaparecidos políticos as vítimas da fome, do estado policial, dos esquadrões da morte e sobre tudo os direitos dos cidadãos pobres da cidade de São Paulo. Fica registrado que os crimes contra a liberdade serão sempre descobertos. Luiza Erundina e Comissão de Familiares de Presos Políticos Desaparecidos.”
Mesmo não esquecendo os acontecimentos, nenhum dos muitos funcionários do cemitério se pronuncia quando o assunto é a Vala de Perus. Um funcionário de aproximadamente 45 anos ao ser perguntado, sobre o que sabia do assunto responde secamente “Fale com o Hélio!”
Heliontero Alves conhecido como Hélio é o diretor do cemitério e o único responsável a dar alguma informação sobre o caso, mas falar com ele também não é tarefa fácil. Ao ser perguntado por ele, seu secretário informa com ironia após olhar o relógio “Ele só poderá atender daqui três horas, e não é garantido que fale alguma coisa.”
Mesmo passado muitos anos do descobrimento da Vala de Perus o assunto é ainda muito censurado. Mas não para algumas comissões formadas por parentes de desaparecidos políticos, e políticos engajados com a causa.


Comissão da Verdade
Antes de ser aprovada causa polêmicas e deixa muitas incertezas no ar.


Ao contrário de países vizinhos como Argentina, Peru e Chile, o Brasil desde o fim do período ditatorial até os dias atuais nunca conseguiu investigar com veemência os crimes cometidos pelos militares. Crimes como os desaparecimentos de civis, torturas, prisões arbitrarias, ocultação de cadáveres, e ações que violaram os direitos humanos de inúmeros cidadãos brasileiros que eram contra o Estado.
Para tentar passar a limpo esse período de repressão no país, o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou em maio de 2010 um projeto de lei que cria a Comissão da Verdade. O propósito da Comissão é de promover a ”reconciliação nacional”, ou seja, investigar e esclarecer os crimes que foram cometidos no período da ditadura , ainda que esses tenha ocorrido no exterior. O projeto está no congresso esperando votação para ser aprovado. Mas mesmo antes de sua aprovação a Comissão da Verdade está causando muitas polêmicas e incomodando aqueles que querem colocar uma pedra em cima do assunto, como as Forças Armadas que já se declarou totalmente contra a esta ação.
Justamente por buscar a verdadeira história do país, a Comissão da Verdade esta passando por verdadeiros boicotes que envolvem a grande mídia, militares e políticos da oposição que não querem que a comissão seja aprovada .
Porém a presidente Dilma Rousseff colocou como meta para este ano que a Comissão seja aprovada. Não foi a toa que nomeou a Ministra de Direitos Humanos Maria do Rosário encarregada de cuidar dessa aprovação no congresso fazendo parcerias, e promovendo o debate entre os deputados.
Essa é uma das metas do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, que inclui entre outros temas a defesa da descriminalização do aborto, a união civil homossexual, a revisão da Lei da Anistia, e a mudança de regras na reintegração de posse em ocupação de terras e a instituição de critérios de acompanhamento editorial de meios de comunicação.
“Mas o que causa até certo conforto para quem tem o que esconder é justamente o fato da Comissão da Verdade não poder responsabilizar criminalmente nenhum torturador, devido à lei de Anistia que impede essa ação.” Afirmou o Paulo Sergio Pinheiro que é diplomata carioca, e exerce dentro da ONU o cargo de relator especial l para a situação dos direitos humanos de Myanmar. A declaração faz parte de uma entrevista concedida ao jornal Estado de São Paulo em fevereiro desse ano.
O papel da Comissão da Verdade será apenas o de reconstituir efetivamente o que ocorreu. “É preciso saber a verdade sobre os crimes cometidos pelos agentes do Estado, o que aconteceu com os dissidentes estamos cansados de saber”. Conclui o diplomata.
A lei de Anistia dá subsídio aos torturadores da época da ditadura, caso não seja modificada mesmo que a Comissão da Verdade seja instaurada não punirá com prisões os culpados. Deixará exposta uma lista com os nomes envolvidos, mas não poderá obrigar-ós ao comparecimento em audiências.
Enquanto isso o Brasil continuará sendo um país que se mostra cada vez mais incapaz de passar sua própria historia a limpo.

02/05/2011

Emancipação feminina uma luta constante

Desde a criação da humanidade independentemente de crenças religiosas o sexo feminino sempre foi visto como um ser inferior ao masculino e tratada dessa forma.

A evolução das mulheres foi acontecendo gradativamente junto com a evolução das sociedades.

Os direitos femininos não foram dados gratuitamente pelo contrario foram conquistados na base de luta e diante da impossibilidade de permanecer tal forma de subjugação devido ao avanço das tecnologias e da evolução das sociedades.

Em um passado não muito distante as tarefas de lavar, passar, cozinhar, cuidar do lar era somente das mulheres, hoje em pleno século XXI, novos trabalhos forma incorporados a rotina feminina, criar os filhos sozinha, trabalhar nos mais variados empregos fora de casa, ser chefe de família , pagar as contas.

Quantas mulheres hoje estão nessa situação em todo o mundo na busca diária pela independência e liberdade e em contrapartida quantas estão ainda vivendo como seres dependentes e subjugados.

Parece difícil de acreditar que ainda existam mulheres que se sentem inferior aos homens pior a homens que são na verdade seus maridos. Por que esses maridos usam a força física e psicológica para agredir, e escravizar as esposas dentro do pensamento de que elas não são capazes.

Em um mundo onde há inúmeras mulheres em cargos de chefia nos governos, empresas, instituições de poder, ainda há mulheres que nem sequer se sentem no direito de saber ler ou escrever ou ter uma profissão.

A violência é assustadora são mulheres agredidas, humilhadas, violentadas e mortas todos os dias no Brasil no mundo. É

nesse contexto de luta diária que se segue que é preciso sim iniciativas publicas para que a emancipação feminina aconteça para todas e não para apenas um pequeno grupo de mulheres.

Pelo contrário que esse grupo de mulheres sirva de exemplo e superação para as demais que ainda vivem como servas igual as do século passado.


Texto : Paula Farias

04/04/2011

Livraria Suburbano Convicto 4 anos de existência e resistência


A livraria Suburbano Convicto do Alessandro Buzo , já se tornou ponto de referencia quando o assunto é literatura marginal, sarau, bate papo, lançamentos de livros, CDs enfim é uma verdadeiro pólo cultural, que fortalece a cultura Hip Hop .

E nessa semana a livraria completa 4 anos de existência sinônimo de resistência.

Nesses 4 anos varias coisas aconteceram, muitas dificuldades foram enfrentadas e se hoje a Suburbano Convicto completa 4 anos de vida é graças a persistência do Alessandro Buzo.

Que invés de cruzar os braço e reclamara , optou por arregaçar as mangas e ir a luta.

E como uma data tão importante como essa não poderia jamais passar desapercebida o eu fui bater um papo com esse Suburbano Convicto chamado Alessandro Buzo.

Confira a entrevista

Portal Rap Nacional: Como surgiu a idéia de montar a livraria Suburbano Convicto?

Alessandro Buzo: Um pouco foi porque eu deixava meus livros nos comércios do Itaim Paulista (papelarias etc…) e quando eu voltava o livro estava debaixo do balcão. Muitas vezes sujo porque alguém tinha lido sem cuidado.
Montei a livraria para expor direito meus títulos e outros da literatura marginal.
Passando numa rua próximo da minha casa no Itaim Paulista vi uma pequena garagem para alugar, na época (2007) era R$ 150,00 de aluguel e R$ 50,00 de água (valor mínimo de comercio)…..achei barato e reservei por meia hora, foi o tempo de ir na rua de casa, arrumar R$ 200,00 emprestado que não tinha na hora e cair pra dentro. Assim surgiu a livraria.


P.R.N: Você já explicou isso em seus livros, mas para quem ainda não conseguiu ler, o que é significa Suburbano Convicto?

Buzo: É uma alta afirmação, não ter vergonha de dizer de onde você é. Hoje eu defino assim: – Ser Suburbano é querer o melhor da quebrada.

P.R.N: A Livraria começou no Itaim Paulista é hoje está fixa na região central da maior cidade do país, o que isso significou para você?

Buzo: Primeiro que a gente estava falindo na quebrada (depois de 3 anos) e em vez de fechar as portas, que seria o mais provável a gente saiu de um aluguel de R$ 200,00 e entrou em um 4 vezes mais. Só que sabendo que não era de frente pra rua (é no 2o andar), sabendo que não ia virar em 3 meses. Arriscamos porque não ter mais a Livraria Suburbano não estava em debate, então em vez de fechar as portas, no carnaval de 2010 eu cheguei no Bexiga, onde eu já vinha a 2 anos trampar na DGT (que produzia o meu quadro da TV Cultura). Hoje, um ano depois, a livraria é sucesso, mas foi tudo baseado em muito trabalho e luta.
A mudança foi importante, porque no Itaim Paulista eu estava a mais de um ano fechando todo mês no vermelho, tomando R$ 300,00……R$ 400,00 reais de prejuízo mês e essa grana começou a fazer falta no orçamento.
Vim pro centro sabendo que ia ficar mais no vermelho ainda, mas poderia ter progresso depois e na quebrada, comercialmente não é viável.


P.R.N: Agora você esta comemorando 4 anos de existência da livraria, pensando nisso o que vem na sua mente?

Buzo: Vem à satisfação de saber que não desistimos, a Livraria sempre foi bem mais do que só um comércio, isso já existia, as marcas de Hip Hop são isso. Mas eu acreditava no algo mais.
Inspiração vinha da 1 da Sul do Ferréz no Capão, mas nunca imitamos o estilo deles, a nossa é mais ser livraria e bem menos marca, mas foi o que nos inspirou.
Fico feliz de ter um projeto complexo que envolve aluguel, condomínio, contador, funcionário, compra e venda de mercadorias e mais um monte de coisa e ainda assim estar comemorando 4 anos no seu melhor momento, espero estar muito maior quando fizer 10 anos.


P.R.N: A Suburbano Convicto já se tornou um pólo cultural, com sarau, bate papo, diversas atividades, como você analisa isso?

Buzo: Foi uma troca, só fazendo eventos a gente ia fazer as pessoas virem ao Bexiga e conhecer nossa livraria no segundo andar, mas se é pra ter evento, só podia ser coisa de qualidade, pra trazer pessoas idem.
Nasceu o Suburbano em Debate, o Sarau Suburbano e abrimos como local de lançamento (Noite de Autógrafos) para livros, cds, filmes. O povo vinha a primeira vez pelo evento e de quebra conhecia a Livraria, a maioria volta, ou pra outra edição de evento ou num dia qualquer pra ver os livros com mais calma. A Livraria não sobrevive sem os eventos e os eventos precisam da livraria, um não vive sem o outro.

P.R.N: Na livraria tem uma variedade enorme de livros de literatura marginal, dos mais diversos autores, e são vendidos a preços populares, como você organiza isso?

Buzo: Quando vou ao lançamento dos livros, aproveito o preço promocional de lançamento e compro alguns, vendo no meu preço. Ou pego em consignação e acerto conforme vende.
Mas é o fato de ficar atento, dar atenção, pra sempre ter novidades e os clássicos, temos “quase” tudo que saiu no mercado, ou independente.

P.R.N: A marca Suburbano Convicto já viro até camiseta, o Dexter é um rapper que usa muito a camiseta, vai surgir novos produtos? Quais são seu planos ?

Buzo: Agora no Sarau de 26/04 vai sair às novas camisetas (cores preto e branco), nova estampa (de novo do Alexandre de Maio), irão ficar lindas, o desenho é louco. Na seqüência bonés e depois mais camisetas com outra estampa, falo de abril, maio bonés e junho outra camiseta, no segundo semestre a gente avalia a continuidade, a partir do retorno desse investimento que faremos agora. Mas outros produtos devem surgir.
Quanto ao Dexter, representou várias vezes em show e imprensa.
Só dei umas peças pra ele, não tenho bala na agulha pra fazer mais que isso, ele usa porque gosta e em nome da nossa amizade pra dar uma força.

P.R.N: Para quem mora em outros estados há vendas pela internet?

Buzo: Vendemos livros, cds, dvds e roupas……mas ainda é a pessoa deposita e eu envio via correio (Sedex), quero até o final do ano ter um site de vendas pra pessoa pagar no cartão de crédito. Mas vendo pra todo Brasil, principalmente livros.

P.R.N: Nesses 4 anos de existência qual foi o momento mais marcante ?

Buzo: Acho que foi o fato de a gente estar sempre remando contra a maré e estar chegando aos 4 anos no nosso melhor momento.

P.R.N: Alessandro Buzo e Suburbano Convicto são um só?

Buzo: Sim…sempre. Mas ninguém pode ser o Buzo, mas qualquer um (que quiser e fizer por onde), pode se tornar um Suburbano Convicto.

P.R.N: Deixe um salve pro rap nacional…

Buzo: Eu amo o Rap Nacional, lembro que os primeiros CD´s de RAP que tive foram consignados da Porte Ilegal e hoje muitos nomes importantes como Emicida, Max B.O. , Dexter e outros, vem autografar aqui os seus cd´s. Muitos nomes de peso da nossa cultura, da literatura e do Hip Hop, já passou aqui no ultimo ano, quando conseguimos nos firmar no centro da maior cidade do país e transformar um comercio (livraria), no centro cultural que a Suburbano se transformou hoje.
Ao Portal Rap Nacional obrigado pela amizade e companhia de sempre. Valeu Mandraque, Elaine Mafra, Paula Farias e todos do time.

www.livrariasuburbanoconvicto.blogspot.com
www.buzo.com.br

Endereço

Livraria Suburbano Convicto

Rua 13 de maio , 70 º andar, Bexiga .


Entrevista: Paula Farias

entrevista publicada no site www.rapnacional.com.br

47 Anos do golpe militar no Brasil e a impunidade continua

Na última sexta –feira (01) de abril completou 47 anos do golpe militar no Brasil.

Foram 21 anos de censura, torturas, mortes e de muita luta.

Vários militantes lutaram contra a Ditadura Militar, não mediram esforços , derramaram sangue, deram suas vidas em prol da liberdade.

Por isso essa data não pode jamais passar desapercebida, tanto que ainda infelizmente a justiça ainda não foi feita no caso do Brasil.

Ao contrario de vários países como por exemplo dos nossos vizinhos argentinos onde vários militares foram julgados por seus crimes durante a ditadura Argentina.

Aqui no Brasil os torturadores, assassinos, estupradores continuam impune, até hoje. Nenhum militar brasileiro foi a julgamento, e os arquivos da ditadura continuam fechados.

Esperamos que a atua presidenta Dilma que foi uma importante militante que lutou contra a ditadura , tenha toda a força e coragem que teve enquanto militava a 47 anos atrás , tenha agora para abrir os arquivos da ditadura e finalmente fazer justiça.

Que essa página tão triste da historia do Brasil não fique marcada pela impunidade.

E para refletir sobre tudo o que acorreu , nada melhor que essa linda música do cantor Geraldo Vandré “Pra não dizer que não falei de flores”.