19/02/2012
12/02/2012
EU TE AMO e acredito em você homem de luta e coragem
Por :Paula Farias
Na
primeira vez que te vi logo me encantei com seu jeito de ser, sua voz forte ,
com palavras cortantes “vivemos num país desigual ,onde o racismo ainda
predomina” as palavras entraram em meus
ouvidos. Em seguida seu sorriso companheiro, logo invadiu meu coração.
Os
seres humanos são tão carentes ao ponto que na primeira demonstração de
carinho que recebem de alguém logo se apaixonam, e não foi diferente comigo quando me toquei já era tarde.
Há
vários tipos de amor , mas uma coisa é igual em todos, quando é de verdade nem
o tempo, distância , ou brigas conseguem apagar porque é algo que vai além do
corpo e da alma .
É
algo maior, é um sentimento de querer ver o seu sorriso, saber que esta bem ,
sempre firme na luta .
Que mesmo estando a distância se preocupa, lembra e se
aquece toda vez que recebe um sinal de que esta tudo bem contigo permanecendo firme.
Eu
me sinto feliz por sentir esse amor, que não espera nada em troca, que se
alegra com um abraço apertado e com um sorriso sincero.
Esse
é o mais puro dos sentimentos que não aprisionar, não cobra, não sofre porque simplesmente
não espera o retorno, só espera que você sempre esteja bem , onde quer que
esteja.
O
amor de coração, sangue, ideais e lutas maior que qualquer sentimento
pequeno de posse ,ciúmes e domínio.
Parece
difícil de entender?
Mas realmente é difícil porque há coisas na vida que a ciência não
explica, a bíblia não esclarece, que é preciso ser sentida no coração.
E
coitado daquele que acha que o coração é só mais um órgão que bombeia sangue,
ou que só existe amor se houver corpo a corpo, não amigo há muito amor quando
há coração com coração, ideais com idéias lado a lado na rua, na guerra na resistência.
Quer
saber o nome dele que me alegra com o olhar e me marcar com palavras?
Ele
se chama revolução , mas não é algo abstrato não , ele tem corpo formado por
cabeça, tronco e membros , e um enorme
coração guerreiro de zumbi , sempre ao lado do povo , nas ruas lutando , organizando
e manifestando.
A
revolução está no homem , não em todos porque assim como o amor é preciso ter
sensibilidade para aceitar e entender.
EU
TE AMO e acredito em você homem de luta e
coragem
05/02/2012
5 perguntas 5 respostas a sinceridade assusta
por : Paula Farias
Quando encontramos uma tristeza, uma lágrima ou uma dor, logo queremos saber o motivos o porquê de tudo isso certo?
Então quando tomamos coragem de perguntar o porquê as respostas sempre nos chocam , a sinceridade que muitas vezes é falha no dia a dia quando ela vem assim a seco assusta.
Então fui ter uma conversa e tentar descobri os motivos em 5 perguntas obtive as 5 respostas mais sinceras que poderia obter de alguém.
Quero saber se tem medo da morte?
Não.
Nessa
vida louca a morte é a que menos me preocupa . Alias acho que ela seria a grande
solução para todos os problemas e dores que sinto.
Eu
não escolhi essa vida já nasci dentro dela, com essas marcas no corpo na mente,
ouvindo gritos e lamentações.
Quem é você ?
Não sei sou tantas ao mesmo tempo.
Da
mesma forma que sou forte e me revolto com as injustiças desse mundo cruel, também
sinto desprezo e vontade de sumir, de parar de pensar nas coisas que penso, de
não mais sentir o que sinto.
Que
me importa as dores do mundo se o meu peito também dói, do que me importa as
lágrimas do mundo, se a minha face vive molhada também.
Talvez
se conseguisse não pensar tanto no mundo pudesse ser feliz, vivendo no mundinho
encantado das bonecas, mas não consigo e continuo habitando o mundo perverso do
capital, do consumismo, do padrão de beleza, das injustiças sociais e raciais.
Vivo
assim esse conflito diário sinto que há varias faces dentro de mim cada uma com
sua personalidade, tem a boa que deseja ajudar, mas tem a má que só pensa em vingança,
a medrosa, a corajosa, a sonhadora que só deseja ser amada e a pés no chão que
já não perde mais tempo com essa ilusão.
O
futuro ?
Não sei como será.
Quase
sempre desejo não chega até ele, já esta difícil agora não creio que melhore em
um tempo distante.
Do
que sente medo?
Da dor.
As
noites sozinhas me assustam porque é nesses momentos que o coração dói, o
celular não toca , não há ninguém pra ligar, pra conversar. A solidão essa é a única
companhia indesejável, mas a que não falha esta aqui todas as noites.
Um
sonho ?
Viajar para outro mundo ...
Quer saber quem foi que me respondeu ?
Pergunte para si mesmo , a resposta pode esta dentro de você é preciso encara-lá de frente.
*Qualquer semelhança com a realidade pode não ser mera coincidência .
25/01/2012
SP é a cidade dos contrastes que dói na carne
Por: Paula Farias
São
Paulo é a cidade dos contrastes que dói na carne e aperta o coração.
Onde
a riqueza e a pobreza convivem lado a lado, se encarando todos os dias.
Na
mesma marginal onde passa carros importados na porta de grandes empresas e
bancos, logo ali ao lado passa o trem lotado com trabalhadores empilhados indo
pro trabalho.
Logo
mais a frente de um lado da ponte condomínios fechados, enquanto os vizinhos
estão nas casas de alvenaria ou dentro do barraco de madeirite.
E quando os empresários saem do teatro
municipal, ou terminam o jantar em algum restaurante da avenida paulista
precisam tomar cuidado para não pisarem em brasileiros que dormem na rua com
seus papelões.
São
os dois extremos, as duas pontas da pirâmide social que estão lado a lado em
constante estranhamento.
Afinal
para os da ponta de cima da pirâmide ter tanta pobreza ao lado incomoda ,
porque eles precisam blindar os carros, cerca as mansões, fechar o vidro nos faróis
, dessa forma fica complicado fingir que moram na Europa .
Já
para a massa que sustenta a pirâmide da desigualdade como aceitar tantas
injustiças, educação, saúde, serviços públicos precários, o único órgão que
chega ás periferias é a policia em forma
de violência de humilhações.
Como
aceitar ser explorado pelo sistema, alienado pela grande mídia golpistas?
Como
despertar a grande massa adormecida? Como fazer São Paulo deixar de ser a
cidade de pedra?
Arrisco-me
a dizer que somente o conhecimento é a chave da libertação, por isso mesmo a
educação pública é uma catástrofe feita para moldar a mão de obra barata.
Busque
o conhecimento não nos livros escolares, mas nas letras de rap que ecoam pelas
periferias de São Paulo , nos livros da literatura marginal que começaram em
São Paulo e se espalharam pelo Brasil.
E
São Paulo não tem qualidade ?
Sim
tem e muitas é o lugar onde se encontra de tudo um pouco e de todos um pouco.
Mas
é preciso democratizar os acessos, as qualidades.
Que a cidade de pedra tenha dias melhores...
Foto: Google
20/01/2012
Homens e Mulheres Placas
Por : Paula Farias
Eles estão espalhados pelas ruas do
centro da maior e mais rica cidade do país, sempre parados e mudos como estatuas , enquanto as pessoas correm de um lado para o outro e varias vozes
, ruídos se fundem no ar, eles permanecem ali como que congelados são os
homens e mulheres placas.
Confesso que por diversas vezes passei
diante de um homem placa e fiz como tantos outros, mergulhada na pressa,
pensando nos compromissos ou simplesmente viajando no rap que toca alto nos
meus fones de ouvido eu passei direto.
Mas ontem tudo mudou,
enquanto passava próximo ao metro do Anhangabaú meu olhar foi certeiro
no rosto de um homem placa. Ele era o típico trabalhador brasileiro negro, cabelo começando a ficar grisalho, na faixa dos 50 anos e um olhar
triste , perdido no horizonte.
Ele estava com um placa de lanches no
corpo, no cardápio vários tipos de sanduiches e sabores de suco, que se
chocavam com a tristeza evidente que ele tinha no olhar.
Tão evidente que me fez olhá-lo por
vários minutos e me fez parar e pensar , que raios de emprego é esse ? Fica
parado na rua com uma placa no corpo, um verdadeiro anuncio humano.
E não precisa ser muito esperto para
saber que provavelmente o salário recebido deve ser pouco , que a força de
trabalho vendida não é renumerada como deveria .
Que o sistema capitalista
se alimenta e se sustenta de mais valia, extraída da classe trabalhadora ,
essa mesma massa de explorados que mal conseguem se alimentar e sustentar
suas famílias.
E devido as condições precárias os trabalhadores se sujeitam porque não possuem escolha, com
baixa escolaridade , as oportunidades são escassas, e
aceitam qualquer tipo de trabalho e ainda agradecem, eles são "sortudos" pelo menos possuem trabalho e tantos
outros brasileiros que nem isso tem.
Esse pensamento de conformismo com o
pouco, com o que sobra é infiltrada na cabeça do trabalhador brasileiro, é o
sistema dizendo viu como somos bonzinhos e te ajudamos.
O Brasil se tornou a
6º economia do mundo, mas idai ?
Somos ainda a nação que possui uma
das maiores concentrações de renda do mundo, afinal do que adianta
termos um bip recorde se as riquezas não são compartilhadas ?
Como é possível que 10% de burgueses
controlem e desfrutem de 90% das riquezas do país deixado para o trabalhador
brasileiro responsável por produzir esses lucros apenas 10% da fatia do
bolo ?
A concentração de renda é o que causa
pobreza, que conseqüentemente gera trabalhos informais, e o terrorismo
dentro do chamado emprego formal, porque o trabalhador vive com medo , coagido
e não consegue lutar por seus direitos, ficando a merce da tirania de seus
patrões, “não está satisfeito com o salário,
com as condições de trabalho então peça as contas”.
Quantas vezes você já ouviu essa frase,
quando foi reivindicar alguma melhoria ???
Homens placas são um dos símbolos
da exploração do capital sobre a classe trabalhadora, o capitalismo explora sua
força de trabalho seja fazendo você repetir por horas os mesmos movimentos em
uma fábrica ou fazendo você fica parado e mudo durante horas no meio da
rua.
Tudo visando o lucro seja com uma peça
de carro montada, ou com uma sanduiche de carne.
E os nossos pais, irmãos, vizinhos,
amigos, desconhecidos, vão se sujeitando a viverem como placas nas ruas ou
como máquinas nas fábricas.
Onde só o olhar consegue demonstrar, o
que a mente guarda e o coração tenta esquecer.
foto: google
05/01/2012
Mortos vivos do crack
Por: Paula Farias
Doentes do crack, vitimas do sistema com uma vida que virou fumaça junto com a pedra.
Feliz ano novo, e o ano eleitoral de 2012 já começou forte com uma mega "Faxina" na região de Cracôlandia , chamada pelos órgãos públicos de Integrada Centro Legal.
Mas o que não é nada legal é como as ações estão sendo desenvolvidas, tropa de choque, cavalaria, cassetete, armas, um exército de PMS contra uma exército de mortos vivos dependentes de uma pedra de um cachimbo.
São homens , mulheres, crianças, jovens, velhos, negros e brancos nas ruas escuras da cracolândia quando a fumaça começa a subir não há diferenças de gênero, idade, etnia todos são iguais na loucura pela pedra, em busca da viagem para um outro mundo.
ssas pessoas há muito tempo não vivem mais no mundo "real" a dependência os levou ao maravilhoso mundo da brisa, que os fazem se comportar como mortos vivos perambulando pelas ruas do centro da maior cidade do país.
Dependentes de crack são doentes, não sabem distinguir o certo do errado, roubam para manter o vicio , não conseguem largar o maldito cachimbo e o governo trata doentes com policia . Alegando que primeiro será usada a força policial para depois serem disponibilizadas serviços de assistência social.
Há quantos anos a cracolândia existe ? Desde quando eu tinha 12 anos escutava falar na assustadora e perigosa cracolândia e hoje depois de 11 anos estou escrevendo sobre isso em pleno 4/1/2012.
Será que nesses anos todos não foi possível disponibilizar tais serviços para os doentes do crack ?
Seria possível sim , mas droga também é sinônimo de dinheiro, propina e corrupção. Tirar das ruas o lucro de muitos, não é um bom negocio para os magnatas do tráfico.
Estou me referindo aos grandes traficantes aquele que trazem as drogas de avião, não ao noia que vende nas esquinas pra sustentar seu próprio vicio e vira e mexe é preso e sai nas manchetes como traficante preso.
O mundo ilegal das drogas movimenta milhões é uma poderosa indústria por isso mesmo a cracolândia existe e vai continua por muitos anos ainda, enquanto não houver uma política eficaz de combate ao trafico de drogas e uma política de saúde pública voltada para os doentes usuários.
Enquanto isso continua tendo essa "Faxina" pelas ruas, eles prendem alguns "laranjas" expulsam os craqueiros de tal rua, tal praça que imediatamente migram para outros lugares.
Resumindo a sujeira é varrida pra debaixo do tapete.
Agora pra você que está lendo esse texto e as inúmeras matérias que estão sendo divulgadas sobre o assunto e esta enchendo a boca para dizer "problema é dele quem mando ele usar crack" cuidado quem cospe pro alto pode cair na testa.
Aquele menino poderia ser seu filho, seu irmão, ninguém nasce usuário de crack se torna , os motivos são muitos mas me arrisco a dizer que o maior causa é a tão conhecida desigualdade social em suma maioria os dependentes são sim pobres, negros, brancos, homens e mulheres mas pobres filhos dessa terra amada nada gentil chamada Brasil.
Os boys se drogam sim e muito, mas muitos preferem as drogas sintéticas ou a carreira de pó algo que de pra conciliar com a faculdade, com o emprego na empresa do papai , que não atrapalhe a vida social.
E para você que agora esta dizendo eu sou pobre e nem por isso fui fumar crack.
Eu te digo parabéns essa armadilha do sistema você venceu , e a armadilha de endurecer o coração e só pensar no seu próprio umbigo essa você venceu ?
Um lugar em que a mulher é referência e tem espaço
Por: Paula Farias e Suevelin Cinti
No hall de entrada, um grupo de dez mulheres conversa, é segunda feira,
dia da oficina de jardinagem. Mães de filhos já crescidos, com família formada
e, ainda sim, carentes de convivência. São essas mulheres que buscam
reencontrar aqui sua auto-estima perdida entre os afazeres domésticos, as
dificuldades financeiras e a opressão diária que sofrem por simplesmente serem
mulheres. Enquanto o professor não chega, elas falam sobre tarefas de casa,
folheiam revistas e dão risadas entre uma brincadeira e outra que fazem para
passar o tempo.
Na recepção, já é possível notar as particularidades do local, com uma
decoração em tons de branco e roxo nas paredes, móveis estofados, mesas de
vidro, prateleira com artesanatos. Existe um tratamento diferenciado entre a
recepcionista e as mulheres que ali chegam, um largo sorriso estampado no rosto
torna a chegada muito mais agradável e convidativa.
Aqui, quebra-se o padrão da maioria dos órgãos públicos. Uma fachada
discreta, com uma placa pequena. Estamos no Centro de Cidadania da Mulher de
Santo Amaro, o CCM.
A sensação é a de ter entrado na sala de estar em casa, cada detalhe foi
pensado e planejado para acolher de forma aconchegante essas mulheres. São
sofás cobertos de almofadas com capas artesanais bordadas à mão, cores alegres
nas paredes forradas de quadros e flores por todos os lados.
Algumas das mulheres que estão ali tentam retornar ao mercado formal de
trabalho, outras nunca tiveram sequer a carteira assinada. Entre elas as
experiências são as mais diversas possíveis, e foi pensando nessa pluralidade
que as atividades da CCM foram organizadas.
Oferecendo as mais variadas oficias e cursos gratuitos, é desta maneira
que o CCM de Santo Amaro torna seu espaço útil. Presente em outros países
além do Brasil é uma criação da União Europeia, responsável pelo monitoramento
de dados em relação à situação das mulheres nos países onde existe os centros.
Desde sua inauguração, em 2007, quem mantém o funcionamento do espaço é a
Prefeitura de São Paulo através da Secretaria de Participação e Parcerias.
Entre os cursos mais procurados estão: arte e movimento, costura,
artesanato, rodas de leitura, confecção de sacolas, atendimento jurídico e
psicológico, rodas de bate papo, desenvolvimento pessoal e cuidados pessoais.
No CCM se aprende que não existem limitações físicas, e sim culturais.
As mulheres querem mais opções de escolha e acabar com esse preconceito social
de que há trabalho só para homens ou só para mulheres.
Em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI)
já houve um curso de texturização e pintura em parede, que também ajudou
muitas mulheres a conquistarem espaço no mercado de trabalho como pedreiras.
Para este ano está previsto novo curso de hidráulica e de elétrica, também na
área civil.
As oficinas e cursos são ministrados por profissionais de forma
voluntária, por esse motivo a programação varia muito durante o ano. Cada curso
dura em torno de dois a três meses, e a mulher que desejar pode repetir o mesmo
curso.
A voz dos beneficiados
Dona de uma audição apurada e memória quase fotográfica, Maria da Paz
perdeu a visão dos dois olhos em conseqüência de uma doença genética, assim
como seu irmão. Porém, diferente dele e por ser mulher, ela não teve o mesmo
empenho da família em habilitá-la para ser independente.
Maria foi então procurar ajuda na Unidade Básica de Saúde (UBS), em Veleiros,
na qual era usuária. Ela buscava um lugar que oferecesse reabilitação, para que
pudesse andar sozinha e ser menos dependente, e foi conversando com Suely
Schraner, que trabalha no Centro Gestor da unidade, que juntas elas encontraram
o CCM.
Suely acompanhou todo o processo de desenvolvimento de sua nova
companheira, juntas elas participaram de oficinas de dança e arte em cabaça.
Emocionada, Maria da Paz conta que foi na oficina de cabaça que encontrou a
grande chance de desenvolver mais uma habilidade e oportunidade de superação:
“A emoção foi demais quando, pelos olhos da professora Valéria, fiquei sabendo
que a minha pintura (Chuva Americana) na cabaça tinha ficado muito bonita.
Chorei de alegria”
Suely completa a fala da amiga: “acompanhá-la é a melhor maneira de
agradecer por ter uma boa visão”.
Aprendendo a SER
A coordenadora do local, Rosangela Fogarolli conta que o espaço atende
mulheres de todas as idades e regiões, algumas vindas por encaminhamento da
Delegacia da Mulher para serem orientadas e outras que buscam uma ocupação.
Todas as mulheres, antes de começar as aulas, passam por um curso de
“Formação de gênero, política e cidadania”, com uma assistente social e uma
estagiária, com duração de quatro a cinco encontros.
É nesse momento que o Centro de Cidadania busca desenvolver sua
principal função no enfrentamento à violência doméstica e reconhecimento da
mulher na sociedade, fazê-la perceber que muitas vezes seus desejos e vontades
são anulados para sustentar a família unida e seu casamento, motivos que a
leva, na maioria das vezes, suportar a opressão e a violência dentro de sua
própria casa.
Segundo Rosângela, falar de gênero com esse público é ir além da
diferenciação de sexo ela diz que o fundamental é fazer as mulheres
compreenderem que as grandes limitações que temos são questões culturais, de
nossa própria criação. A coordenadora afirma que ao longo das palestras as
mulheres se dão conta da violência da qual são vítimas, que, na maioria das
vezes não é física e sim psicológica (que quando envolve o fato de ser mulher é
considerada violência de gênero).
Rosângela resume ainda a sociedade em que vivemos: “Uma sociedade
masculina, machista e feita para homens”, declara, afirmando que essa visão
também pertence às mulheres e que é para isso mesmo que realizam seu trabalho
sistêmico, vindo ao encontro desse problema cultural.
“O nosso dia a dia é muito emocionante, se a gente consegue o retorno de
uma dessas mulheres já está de bom tamanho. Lutamos hoje não pela igualdade e
sim pela equidade, para que não haja mais o
opressor ou o oprimido, e que se a mulher desejar ser dona de casa, seja ela
respeitada por sua escolha”, afirma.
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